quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Trocar uma palmada por um abraço (Parte 2)

Falámos aqui sobre Disciplina Positiva e pediram mais!

Antes de mais quero que saibam que não sou nenhuma expert no assunto. Trata-se de uma forma de estar na vida que adoptei depois de ter sido mãe, apenas porque faz sentido para mim. E isto é fundamental.

Não devem tentar adoptar um estilo de vida que não faça sentido para vocês. Porque isso nunca vai resultar. Não é apenas por “estar na moda” ou falar-se sobre isso que temos todas que seguir o mesmo caminho. Cada uma de nós faz o que sente e acredita que é o melhor e isso já faz de todas nós as melhores mães que os nossos filhos poderiam ter.

E porque é que optei por este “Estilo de vida”?

Como já referi muitas vezes desde que soube que seria mãe, decidi ser o melhor que conseguisse. Pesquisei muito, sobre todos os assuntos e mais alguns e li um pouco de tudo.
Nestas pesquisas e leituras deparei-me com factos desconcertantes…

A verdade é que não tratamos as crianças de forma igual que os adultos. E por algum motivo que não compreendo, as crianças têm menos direitos, e em consequência menos respeito do que os adultos… Mas então e porquê?

Lembro-me quando era criança, em momentos de birra o sentimento que me invadia era a injustiça! Talvez daí fosse sempre apelidada de respondona! Quantas vezes, não ouvimos as crianças lamuriarem-se de que “Não é justo!” E, é? Estamos mesmo a ser justos?!

Obviamente que um ser pequeno não pode mandar e desmandar na nossa vida… Claramente, não podemos deixar as crianças fazerem tudo o que querem, até porque elas seriam as primeiras a colocar em risco a sua integridade física. Mas se reparamos bem, quantas vezes é que não dizemos que “não”, apenas porque estamos cansados ou sem paciência?!

E acham justo?!

É frequente vermos as crianças a serem tratadas como seres menores. Exemplos:
*Um almoço de família, e a mesa é apertada - coloca-se um banquinho para os miúdos!
*Tenho que ir fazer um recado – Eles esperam no carro um bocadinho.
*Apareceu alguém e o jantar acabou por ficar curto… Faz-se uns ovos mexidos para os miúdos e chega bem!

… Obviamente nada disto é “o fim do mundo”, mas demonstra que existem n situações em que tratamos as crianças como seres inferiores. Agora pensem como se tivessem 4 ou 5 anos. Têm mesmo capacidade para compreender todos os motivos dos adultos? Mesmo quando nós próprios não os temos?! Pois, não!

Para eles é pura e simplesmente injusto – era isto que sentia.  E a verdade, é que eu enquanto adulta, percebi que muitas vezes temos dificuldade em distinguir as necessidades dos caprichos… Tem que ser porque sim! Mas se pensar bem… às vezes não tem mesmo que ser…

Passemos às birras dos miúdos! Quando eles fazem birras e aquilo a que nós chamamos de “portar mal”, será que o fazem por maldade?! Ou será antes uma chamada de atenção? Dizerem-nos que precisam de nós?

Então e se eles estão a precisar de nós, vamos castiga-los por isso?

È muito duro que os castigos (físicos ou não) lhes cheguem pelas mãos de quem mais amam, de quem mais confiam, dos seus protectores, os pais!
Os pais devem ser os seus portos seguros. O seu colo e amparo. A sua segurança. Não um canal de punição…

O amor dos nossos filhos por nós, é desmedido, incondicional, desinteressado e completamente absoluto. Quero mesmo eu trair tudo isto por uma palmada?! Por perder a paciência?! Por na realidade estar cansada do trabalho e do stress e não dos meus filhos?! Será justo eles pagarem a factura do stress dos tempos que correm?!

Quem diz filhos diz muitas outras situações. Quantas de nós não nos vimos já a responder mal para alguém, simplesmente porque, não estamos num dia bom?
A única diferença entre adultos e crianças é que o adulto tem capacidade para gerir uma resposta menos boa de outra forma. Conseguem compreendê-la porque já passaram por isso. As crianças não!

Tudo isto é tentar colocarmos-nos no lugar deles. Mudar a nossa perspectiva para compreendê-los melhor. Mais uma vez, reforço que não é fácil… Nada fácil. Até porque deixamos-nos divagar pelo dia-a-dia e esquecemos-nos de fazer este “exercício” com facilidade. 

O truque é chamarmos a nós próprios ao momento quando as coisas acontecem. Quando tiverem que lidar com uma birra, tentem primeiro colocar-se no lugar deles… Vão certamente percebê-los melhor em muitas situações (muitas, não todas).

Se quiserem falamos mais sobre isto num outro dia, mas para já queria deixar-vos umas questões para pensar:



* Quando se castiga uma criança, qual é a diferença entre força razoável e não razoável? E se em vez da criança tivermos a falar do cônjuge? E de um amigo? E de um colega de trabalho?

*Porque é que é justo eu bater numa criança e no meu marido não?! (Ou o meu marido em mim…)

*Quando vocês deixam cair alguma coisa e parte-se, aceitariam que alguém desatasse aos gritos convosco ou vos batesse?!

*Quando estamos mal dispostas e chateadas com a vida, seria justo que alguém vos castigasse por isso?!

Nota1: Se quiserem, posso falar mais sobre o tema noutro posts, não vos quero cansar com estas teorias :)
  

Nota2: Não condeno de qualquer forma quem educa de forma diferente da minha… Cada uma sabe de si e da sua família. Não julgo, nem tento convencer os outros a fazerem como eu. Esta é apenas a minha decisão! Respeitem-me tal como eu respeito!

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