quinta-feira, 3 de agosto de 2017

#Histórias de Mãe - Órfã de pai vivo

Escrevo não como mãe, mas como filha. Uma filha que é mãe, filha órfã de pai vivo.

Muitas mães solteiras muitas vezes se questionam sobre o que sentirão os seus filhos por não terem o pai presente. Falamos de pais que não querem estar presentes e tomam essa decisão voluntariamente. Hoje falo-vos como essa filha, criada por mãe solteira, sem figura paternal.

Quando era pequena, sonhava em ter pai. Ouvia histórias das minhas amigas, o que fizeram com os seus pais, como eram, e especialmente como os adoravam. Não sentia inveja, porque criança que era não compreendia como era ter aquele relacionamento, mas sonhava em ter um pai.

Quando me magoava, não tinha o seu colo.
Quando estava feliz, não tinha o seu sorriso.
Quando estava triste, não tinha o seu abraço.
Quando tinha medo, não tinha a sua voz de príncipe corajoso que afastava os monstros maus.

O meu pai conhece-me. Sabe quem sou. Sempre soube onde estava. Escolheu não estar presente. Escolheu não ser meu pai. Hoje sou mãe, compreendo ainda menos como alguém pode tomar a decisão ou escolher não ter esse papel. Não consigo imaginar a minha filha, tão filhinha de seu papá, sem ele na sua vida. Hoje, consigo perceber que, talvez, fosse o medo da responsabilidade. Talvez a indiferença. Talvez o facto de me ter posto no mundo fosse, para Ele, o suficiente para ser meu pai.

Pai, quero dizer-te que nunca deixei de sentir a falta do ser imaginário que criei na minha cabeça. Daquele que terias sido se tivesses ocupado o teu lugar. Mulher feita, ainda queria o seu colo. Não o teu, pois não te conheço, mas do pai imaginário que fazia as nuvens destapar o sol com um sopro. Fizeste-me falta. Fazes-me falta. Todas as crianças têm direito ao amor de seus pais.

Tu, mãe solteira que estás a ler isto, quero dizer-te que sim, os teus filhos gostariam de ter pai. Provavelmente nunca to dirão. No entanto, deixa-me dizer-te também, que eles aprenderam a amar-te mais, querer-te mais, pois o único pai que conhecem és tu! Tu tomas-te a decisão de ficar. Tu continuas aí. Mesmo sabendo que ia ser mais difícil, mesmo sabendo que te iam olhar de lado, mesmo sabendo todas as provações por que ias passar, tu escolhes-te ficar. Nos dias em que vais para a cama a chorar, escolhes ficar. Nos dias em que te apetece desistir, tu escolhes ficar. Tu és Mãe e Pai. A tua força, conheci-a nos olhos da minha mãe.


Ass: Borboleta


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