quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sou a “Mãe-Chata” lá da escola!

Sou, sim. E sabem que mais?! Não tenho problema nenhum com isso!

Eu sou a mãe-chata que todos os dias entra pela sala a dentro e vou-me sentar na mesa e brinco com ele. Sou a mãe-chata fico ali o tempo que for preciso para que ambos estejamos preparados para passarmos o dia um sem ou outro (ou quase). Sou a mãe chata, que digo às educadoras, “Não faz mal, eu fico aqui um bocadinho! ” Sou a mãe-chata que recusa a que me arranquem o meu filho dos braços por entre gritos e choros. Sou a mãe-chata que não consigo virar costas enquanto ele chama por mim. Sou a mãe-chata que não se contenta com um “Ele depois fica bem” … Sou a mãe-chata lá da escola!

É-me simplesmente impossível deixá-lo ficar aos gritos, de braços esticados para mim a chorar e a chamar e simplesmente virar costas!

Ele não fica com estranhas… de todo! Ele fica com quem cuida dele (mais tempo por dia do que eu) desde os seus 6 meses. Fica com amigas que lhe cantam músicas, que lhe dão colo, que dão beijinhos e abraços, com colegas com quem brincar, com um jardim para correr e até um peixe para alimentar. Ele fica bem, eu sei! Mas não o vou deixar a implorar por mim, e simplesmente vir embora!

Houve dias em que ele entrou pela sala a dentro sem sequer me dizer adeus! - Chamo-o e peço-lhe o meu beijinho de até logo! 

Mas nos últimos tempos, tem-lhe sido mais difícil ficar, sem mim. Noto que o problema não é ficar ali… é eu não ficar!
Fico! Espero! Deixo que se acalme… Dou-lhe tempo para ambientar-se. A quem lá está, às brincadeiras do dia…

Nos últimos dias passei muito tempo dentro daquela sala. Eu vi, ninguém me contou… Eu vi como ficam os pequenos que são deixados a chorar, vi que tem colo, e mimo, e distracção. Vi que uns demoram mais tempo que outros a se acalmarem.
“Ele sente que a mãe está nervosa! ” – dizem elas! Talvez. Mas eu fico mais mais nervosa por ele pensar que o seu ser protector, a sua pessoa mais importante, o seu porto seguro se limitou a ignorá-lo num pedido desesperado para que não o abandone.

Sei que muitas vezes é “fita”! Sei que hoje por exemplo, foi pura fita! Ele foi o primeiro a pegar nos brinquedos, a rir, a brincar… Ele só queria juntar o seu dois mundos: A escola, e a família!

Noto o olhar das educadoras, sinto que estou a incomodar. E talvez até esteja… Que caos seria se todas as mães fizessem o mesmo que eu.

Mas na escola do Vasco, sinto-me aceite. Nunca me senti obrigada ou forçada a nada… Nunca senti que tivesse a faltar alguma coisa… E desta vez não é excepção. 

Talvez contra o meu comportamento, ainda assim permitem-me que o faça! Sem pressas, nem pressões. Como mais for confortável, para ele e para mim.

Por isso, sei que sou a mãe-chata lá da escola! Mas vou continuar a sê-lo sempre que ele precise! 


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