quinta-feira, 13 de julho de 2017

Namoradas não!

É impressionante e assustador como incentivamos os miúdos a umas coisas e depois nos esquecemos de outras.

Enquanto que muitas vezes não lhe damos autonomia para comer sozinhos, por exemplo, muito antes disso já lhes falamos em namoros.

“Tens namorada!? “Olha uma menina, dá-lhe um beijinho/abraço/a mão!”

'A infância precisa de proteção e não de adultos que afastam a criança daquilo que é próprio pra idade dela.'” (aqui)

As minhas amigas chamam-me parva e exagerada, quando digo que não há cá namoradas. Mas eu mantenho a minha opinião.

Insistir em namoro na infância é adultizar as crianças, incentivar a erotização precoce.” (aqui)

É assustador o quão cedo começam estes comportamentos por parte dos adultos. Ainda grávidas, ouvimos bitaites que não só incentivam tanto “os namoros” tanto como “o machismo”.

É uma menina?! O pai que vai comprar uma caçadeira(– Porque o pai (o homem) é que manda, e a menina não pode namorar. )

É um rapaz?! Vai ter as miúdas todas atrás dele(– Porque o rapaz pode ter muitas namoradas, e elas é que têm que andar atrás. )

Numa altura em que muito se fala de igualdade de géneros, perde-se muito a concentração neste tema. E eu não quero.

Não só não quero criar o meu filho como um machista a pensar que é diferente das meninas seja lá no que for. Como não quero desviar-lhe a atenção das brincadeiras e estudos em prol de namoradas.

O instinto sexual é isso mesmo, um instinto. Não precisa de ser cultivado nem estimulado. Ele virá a seu tempo, sem que ninguém lho diga. E ele próprio ditará quando for a sua altura, sem precisar que um adulto lhe incuta uma necessidade de namoradas como se isso fizesse dele um menino bem comportado.


Cá por casa não há namoradas nem haverá tão cedo. Não vejo em quê que lhe faça falta, porque na verdade não faz falta nenhuma. Por isso, crianças giras deste país, o menino cá de casa, não está, por enquanto, disponível!  

(Imagem: Pinterest)


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